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29 de set de 2011

Paysandu, Campeonato Paraense de 1979 e 1980



Da esquerda para a Direita: Carlos Afonso, Albano, Chico Alves, Paulo Guilherme, Aldo e Marcos.
Agachados: Evandro, Carlinhos Maracanã, Darío, Roberto Bacuri e Lupercínio (Que infelizmente nos deixou ha poucos dias).

Por ANTONIO R. RODRIGUES NETO.

O Paysandu havia perdido o título de 1979 para o Remo. Aquele time de 1979, tinha como atração maior, Dario Maravilha quase em fim de carreira, em sua estréia no mês de abril daquele ano, jogo contra o Remo teve no Mangueirão não se sabe como, um público superior a 69.000 torcedores.

O campeonato foi disputado em quatro turnos, sendo que o Remo ganhou os dois primeiros e o Paysandu os dois último, indo os dois maiores rivais para o quadrangular final em igualdades de condições.

Na semana da decisão, a diretoria do Paysandu achou de programar uma jogo amistoso com o time completo, inclusive Dario Maravilha na vizinha cidade de Macapá. Ocorre que neste jogo, nosso artilheiro foi atingido no braço esquerdo por um zagueiro do time adversário e no dia da decisão do campeonato paraense daquele ano, não estava 100% em condições de jogo.

Mesmo assim, o Paysandu jogou muito bem e marcou um gol logo no inicio do segundo tempo através de Lupercinio, que formava o ataque juntamente com Evandro e Darío.

O problema é que do outro lado também tinha um time muito bom que havia feito um belíssimo Campeonato Nacional dois ano antes, em 1977 e tinha jogadores muitos bons como Bira que depois foi vendido para o Inter de Porto Alegre eu como torcedor do Paysandu tenho que reconhecer que aquele time do Remo era um timaço.

Ocorre que após o gol, logo no inicio do segundo tempo, o time do Paysandu parece que se “acomodou”, passando a jogar só se defendendo e diante dessa retranca, o Remo foi todo pra cima e na cobrança de um escanteio, após rebote da zaga do Paysandu formada por Albano e Paulo Guilherme, Luis Augusto, que jogou no Vasco nos tempos de Orlando Fantoni, acertou uma bomba de fora da área, sem chances para o goleiro Carlos Afonso, empatando o jogo.

Poucos minutos depois, num contra-ataque rapidíssimo, o centroavante Bira, que era artilheiro nato, ficou sozinho com Paulo Guilherme e após passar por este, não teve trabalho nenhum em mandar a bola mais uma vez para o fundo das redes de Carlos Afonso, decretando dessa maneira a vitória e conseqüentemente conquistando o tri-campeonato para o Remo.

No Campeonato paraense de 1980, o Paysandu veio bastante modificado, reformulou quase totalmente o time, inclusive contratou Luis Augusto que jogou pelo Remo no ano anterior.

Mas mesmo assim, o time não estava passando confiança para o torcedor, chegou a fazer algumas contratações de impacto, para ver se o time melhorava, entre essas contratações podemos citar Flávio, que havia sido campeão brasileiro pelo Internacional de Porto Alegre em 1976 e contratou também Chico Fraga que também havia jogado no time gaúcho.

Mesmo diante dessas contratações, o time não “engrenou”, chegando a perder alguns pontos para os times chamados pequenos.

O time era treinado por João Avelino, muito conhecido por todos, mas apenas o técnico não era suficiente para ganhar o campeonato e evitar o tetra do maior rival.

A torcida protestava nos treinos, nos jogos e não adiantava nada, a diretoria presidida por Antonio Couceiro, estava sem saber o que fazer.

A crise se instalou de vez quando num jogo, não me lembro bem se foi pelo primeiro ou segundo turno, contra o Tiradentes, que era formado pelo pessoal da Polícia Militar, o Paysandu foi derrotado, dentro da Curuzu por 1 x 0, gol do ponta-direita chamado Hermínio, num contra-ataque fulminante.

A torcida ficou inconformada, enfurecida, enlouquecida e queria de qualquer maneira, “falar” com o presidente, teve gente que ficou até às 21:00h esperando para ter uma “conversa” com a diretoria e nada dos dirigentes saírem do estádio.

Passado alguns dias, e já com os ânimos mais calmos a diretoria anunciou uma contratação que pra mim como torcedor apaixonado pelo Paysandu, foi a melhor de todos os tempos.
A diretoria acabara de acertar a contratação de Chico Spina, que havia sido campeão brasileiro invicto pelo Internacional de Porto Alegre um ano antes, em 1979.

Chico Spina chegou, e fez gols em quase todos os jogos, era artilheiro nato, se encaixou direitinho no esquema montado pelo técnico João Avelino.

No quadrangular final que foi disputado por Paysandu, Remo, Sport Belém e Tuna Luso, o Paysandu venceu todos pelo mesmo placar, 2 x 0, o ultimo jogo, que decidiu o título, foi contra a Tuna pois o Paysandu já havia despachado os outros dois participantes.

A decisão, não lembro bem porque, foi disputada num sábado a noite e eu não poderia deixar de ver o Paysandu ser campeão após 04 anos, pois o último título paraense havia sido em 1976. Pois bem o primeiro tempo, terminou 0 x 0, veio o segundo tempo e não demorou muito o Paysandu marcou com Lupercínio, que formava o ataque com Evandro (ponta-direita) e Chico Spina. O segundo gol foi marcado por Zezinho que tinha vindo do juvenil, (naquela época era assim que se falava) do Fluminense do Rio de Janeiro e jogava de Lateral Esquerdo.

O time daquela noite jogou com: Sérgio Gomes, Aldo, Lineu, Marcos e Zezinho. Luis Augusto, Carlinhos Maracanã e Patrulheiro. Evandro, Chico Spina e Lupercínio.

Bem estes são os relatos sobre os campeonatos de 1979 e 1980, espero que possa contribuir com a Comunidade Retrato na Parede.

2 comentários:

Sérgio Guilherme disse...

Olá, meu nome é Sérgio, sou amapaense e torcedor do Papão da Curuzu desde de criança. Morei em Belém, onde fiz faculdade, de 1989 a 1994. Tive a felicidade de assistir ao primeiro título da série B, em 1991. Agora, quero falar a respeito do Parazão de 1979. Esse jogo final, que o Remo venceu por 2x1, passou ao vivo aqui pra Macapá. Eu tinha 13 anos na época. Lembro bem do primeiro gol de Lupercinio para o Paysandu e do segundo gol do Remo, marcado pelo Bira. Não lembro qual foi a TV que gerou as imagens aqui pra Macapá; inclusive eu já entrei em contato com a TV Cultura e a Liberal pra saber se eles possuem arquivos dessa época, mas não obtive respostas. Além, desse jogo final, a TV Amapá chegou a transmitir outros RE-PA com a presença de Dario, mas acredito que eles não tenham gravados esses jogos. Como haviam muitos amapaenses jogando em Belém - Aldo e Albano(Paysandu); Bira e Mareco(Remo) - havia um grande interesse do povo daqui pelo futebol paraense. Lembro que nessa final de 79 fiquei muito feliz com o primeiro gol de Lupercinio, se eu não me engano, a bola chutada por ele ainda tocou na trave; e, também, fiquei muito triste quando Bira fez o segundo gol; acho que ele chegou inclusive a driblar o goleiro Carlos Afonso. Quando havia o campeonato brasileiro de seleções juvenis, a TV Amapá chegou a transmitir também ao vivo, do Baenão, no início da década de 80, o jogo entre Pará e Amapá. Pena que as pessoas não tenham tido a preocupação de manterem registros desses grandes momentos da história do futebol nortista. Um abraço bicolor!!!

Museu do Papão disse...

Obrigado pelo comentário, amigo Sérgio! É uma pena que realmente não temos tantos registros como essas empresas de comunicação, mas na medida do possível postarei o que tiver em meu acervo ou o que encontrar pela internet.